Seres divinos
Origens das religiões ao longo do crescimento da humanidade e suas divindades.
Oi, gente!
Hoje trago um tema curioso no café da manhã… rs
Quantos panteões da humanidade você já leu sobre? Panteão é um termo usado para o conjunto de divindades de uma religião.
Desde o início da humanidade, as civilizações foram criando representações divinas para explicar questões naturais do mundo e também se apoiarem em forças cósmicas para conseguir superar adversidades e darem sentido à vida.
A palavra religião vem do latim e pode ter se originado de religio, que significa “restrição”, ou de religionem, que é “mostrar respeito pelo que é sagrado”.
Entre mitos e antigas divindades, desde cerca de 3500 a.C. há registros reais de práticas religiosas. Sendo que a maioria das pessoas da Antiguidade, de acordo com os registros escritos e arqueológicos, acreditava em muitos deuses, cada um com uma esfera de influência. Assim, as mais antigas crenças se desenvolveram sendo politeístas.
Senta, que lá vem muitas histórias das religiões mais comuns neste mundo moderno:
Religião na Mesopotâmia
O registro mais antigo de religião que temos hoje, é da Mesopotâmia por volta de 3500 a.C.
Nesta história, temos um começo para a criação do universo que é comum a vários outros sistemas de crenças: a separação da terra e do céu. No caso dos sumérios, um deus céu, An, e sua contraparte terrena, Ki, são separados pelo filho, Enlil.
A deusa do ar, Ninlil, vai até o rio e enquanto se banhava, o apaixonado Enlil a possui e engravida do deus lua Nanna. Horrorizadas com esse ato, as outras divindades expulsam Enlil da terra dos deuses, banindo-o com a amante grávida para o submundo.
Outra parte da construção do panteão foi com Nintu, uma divindade feminina, que pediu a Enki, um dos mais importantes deuses sumérios, para produzir chuvas. Como deus da água, Enki assentiu e tentou também seduzir Nintu. Dando um significado divino ao casamento, o relato sumério afirma que Nintu não cedeu ao desejo de Enki até que ele fizesse dela uma mulher honesta.
Nintu ficou grávida durante nove dias, até dar à luz Ninsar (deusa da vegetação), a qual, por sua vez, foi engravidada pelo pai. Após somente nove dias de gestação, Ninsar deu à luz Ninkurra, deusa das montanhas. Para não quebrar a tradição, Enki engravidou Ninkurra, que, por sua vez, deu à luz Uttu. Ele também convenceu Uttu a se tornar sua amante, fazendo dela a quarta geração a ceder.
Com outros tantos mitos construindo a religião, os principais deuses são:
An/Anu: Deus supremo do céu e da autoridade.
Enlil: Senhor do ar, vento e tempestades, detentor dos “destinos”.
Enki: Deus das águas doces (Abzu), sabedoria, magia e criação.
Ninhursagi: Deusa-mãe, terra e fertilidade.
Ishtar: Deusa do amor, sexualidade e guerra, altamente venerada.
Nanna: Deus da lua, crucial para calendários e adivinhação.
Utu: Deus do sol e da justiça.
Marduk: Deus patrono da Babilônia, elevado à supremo no Enuma Elis.
Ereshkigal: Rainha do submundo, governando com Nergal, deus da morte.
Egito Antigo
As crenças e práticas religiosas egípcias faziam parte da sociedade desde aproximadamente 3000 a.C. Era bastante ampla e sofisticada, englobava muitas áreas e combinava magia, oráculos, mitologia, ciência, espiritualismo, além da crença em um poder superior e na vida após a morte.
A origem se dá com deus Nun. Do vazio que existia, emergiu um monte piramidal conhecido como Ben-Ben, sobre o qual o criador Atum saiu de uma flor de lótus, trazendo consigo a luz. É por essa razão que Atum também é intimamente associado ao deus sol Rá.
Atum produziu a primeira geração de deuses, Shu, deus do ar, e Tefnut, deusa da chuva e da umidade. Destes, vieram Geb, deus da terra, e Nut, deusa do céu.
Em seguida à criação da terra, do céu e do ar entre eles, Atum governou o universo egípcio como o primeiro faraó. Ao saber de uma profecia de que a deusa do céu, Nut, daria à luz uma criança que o destronaria, Atum a proibiu de procriar. Nut desobedeceu à ordem e deu à luz quatro filhos: Osíris, Isis, Set e Néftis — dos quais o primeiro cumpriu a profecia ao crescer.
Osíris se uniu à irmã Isis, enquanto seu irmão, Set, formou uma união com a outra irmã dos dois, Néftis. Não satisfeito em se unir a apenas uma irmã, Osíris também possuiu a outra irmã e dessa união originou-se Anúbis (deus embalsamador dos mortos).
Furioso, Set matou o irmão, o que veio a representar a luta constante entre a ordem e a desordem sob o princípio de Maat. Com a ajuda de Anúbis, Isis e Néftis recuperaram o corpo do irmão e o embalsamaram para trazê-lo de volta à vida. No entanto, a ressurreição de Osíris foi apenas parcial, já que seu papel subsequente foi o de condutor dos mortos, no lugar de Anúbis. Sendo-lhe concedido apenas alguns momentos de vida, Osíris aproveitou a oportunidade para procriar com sua esposa Isis, que lhe deu um filho, Hórus.
Após assassinar Osíris, Set iniciou com Hórus uma longa disputa pelo poder. Em uma das disputas, Hórus tira um dos testículos de Set. Em outra, Set arranca um dos olhos de Hórus. Por fim, Set tenta engravidar Hórus com sua “semente”, mas Hórus consegue pegar o sêmen e atirá-lo no rio, e se vinga plantando o próprio sêmen em uma folha de alface que, em seguida Set come, o que provoca sua derrota.
Principais deuses de referência:
Rá: Deus primordial do Sol, criador do mundo, frequentemente representado com cabeça de falcão e disco solar.
Osíris: Senhor dos mortos, da ressurreição e da vegetação, governante do Duat (submundo).
Ísis: Deusa da magia, maternidade, fertilidade e cura; esposa de Osíris e mãe de Hórus.
Hórus: Deus do céu, protetor dos faraós, filho de Ísis e Osíris, com cabeça de falcão.
Anúbis: Deus da mumificação, guia das almas e protetor dos cemitérios, com cabeça de chacal.
Set: Deus do caos, das tempestades, do deserto e da violência; irmão de Osíris.
Thoth: Deus da sabedoria, escrita, lua e conhecimento, com cabeça de íbis.
Hathor: Deusa do amor, alegria, música, maternidade e dança, vaca ou mulher com chifres de vaca.
Maat: Deusa da verdade, justiça, ordem cósmica e equilíbrio, representada com uma pluma na cabeça.
Bastet: Deusa da proteção, do lar, da fertilidade e do prazer, com cabeça de gato.
Hinduísmo
Entre as religiões da Antiguidade que ainda são praticadas até os dias de hoje, o Hinduísmo é a mais antiga, afinal a Sanatana Dharma, como é chamada por seus adeptos, têm registros de fundação por volta de 2300 a.C.
Os elementos foram os primeiros deuses, e Surya (deus sol) é o mais importante. Agnis, o deus-fogo, era adorado com grande devoção, seus sete braços alcançam os sete continentes. Indra, o deus-céu, da chuva, portador do trovão e condutor do relâmpago, era o criador das tempestades com o seu Vajra (raio). Vayu é o deus do vento, também chamado de Pavan, aquele que anima Pakriti (a natureza). Varuna é o deus dos oceanos, fixou as órbitas para os planetas, as direções dos ventos e do vôo dos pássaros.
A mãe divina é a primeira manifestação da Energia Divina. Os hinduístas reverenciam-na sob várias formas populares, como Durga, Kali, Lakshmi, Saraswati, Ambika e Uma.
Também há deidades planetárias e animais compondo o panteão hindu. Dos deuses mais usados como referência na religião, temos:
Brahma: O criador do universo.
Vishnu: O preservador e protetor, conhecido por seus avatares, como Krishna e Rama.
Shiva: O destruidor ou transformador, associado à meditação e ao yoga.
Saraswati: Consorte de Brahma, deusa da sabedoria, artes e música.
Lakshmi: Consorte de Vishnu, deusa da fortuna, riqueza e prosperidade.
Parvati/Devi/Shakti: Consorte de Shiva, representando a energia divina feminina, muitas vezes vista como Durga ou Kali.
Ganesha: Filho de Shiva e Parvati, deus com cabeça de elefante, removedor de obstáculos.
Hanuman: O deus macaco, símbolo de devoção e força.
Indra: Rei dos deuses e deus dos céus na mitologia védica.
Deuses Gregos
Os gregos, assim como outros povos antigos, acreditavam em vários deuses. A religião grega durou mais de mil anos, desde a época do poeta épico Homero (provavelmente no século 9 a.C.) até o reinado do imperador Juliano (século 4 d.C.). A crença grega se espalhou pelo Mediterrâneo e influenciou também o Império Romano, que adotou vários de seus deuses usando outros nomes.
Foi no imensurável espaço antes que o tempo existisse, que certas forças começaram a tomar a forma que se tornou as primeiras entidades organizadas no universo. Elas eram as quatro maiorais: Eros, Gaia, Tártaro e Nix/Érebo. Cada entidade divina dentre as milhares e milhares nas eras vindouras descenderia dessas quatro.
Os registros mais lembrados são do grupo de doze deuses que assumiram o poder após a derrota dos Titãs. Onze desses deuses residiam no Monte Olimpo; ao décimo segundo deus, Hades, coube o submundo. Todos os doze costumavam brigar, fazer as pazes e se desentender novamente, e extravasavam suas emoções influenciando a vida dos mortais para se vingarem uns dos outros.
A história se inicia com Cronos, filho de Gaia (a Terra) e Urano (o céu). Cronos desposou sua irmã Reia e, juntos, produziram os deuses e deusas do Monte Olimpo, incluindo, além de Zeus, Hera (que também se tornou esposa de Zeus), Hades e Poseidon, entre outros.
Cronos tomou o controle dos céus do pai Urano ao castrá-lo com uma foice afiada. Após uma profecia revelar que sofreria o mesmo destino nas mãos de seus filhos, Cronos decidiu resolver o problema, engolindo cada um dos filhos que Reia gerara.
Apenas o mais novo, Zeus, se livrou desse destino, pois Reia conseguiu dar à luz em segredo numa caverna em uma montanha de Creta. Para enganar o marido, Reia lhe deu uma pedra envolta em uma manta, afirmando que aquele era o seu filho, que Cronos logo devorou com uma mordida.
Assim que Zeus atingiu a maioridade, ele libertou os irmãos mais velhos do ventre de Cronos. E, seguindo uma encarniçada guerra de dez anos contra os irmãos de seu pai, os Titãs, Zeus saiu vitorioso, e Cronos e seus irmãos foram aprisionados no Tártaro, no submundo. O caminho estava aberto para a geração de deuses seguinte, os olímpicos.
Os deuses que mais vemos sobre são:
Zeus: Rei dos deuses e governante do céu.
Hera: Rainha, deusa do casamento e família.
Poseidon: Deus dos mares e tempestades.
Atena: Deusa da sabedoria e estratégia.
Apolo: Deus do Sol, música e profecia.
Afrodite: Deusa do amor e beleza.
Ares: Deus da guerra.
Hermes: Mensageiro, deus do comércio e viagens.
Deméter: Deusa da terra fértil e colheitas.
Ártemis: Deusa da caça e da lua.
Hefesto: Deus do fogo e da metalurgia.
Dionísio: Deus do vinho e da festa.
Héstia: Deusa do lar, frequentemente substituída por Dionísio nas listas.
Hades: Senhor do submundo, muitas vezes considerado à parte por não viver no Olimpo.
Deuses Romanos
Os romanos se apaixonaram de tal modo pela riquíssima mitologia grega que adotaram seu panteão de deuses e deusas, juntamente com as histórias que os acompanhavam. Na verdade, muito do que conhecemos sobre a mitologia grega vem da literatura latina.
Na próxima semana, continuaremos com mais religiões e suas construções.
Boa semana, até lá! 🌟
Referências
Artigo: National Geographic
Livro: A história da mitologia para quem tem pressa - Mark Daniels, 2015
Livro: Deuses e deusas hindus - Sunita Pant Bansal, 2008





